Economista pela PUC Campinas, Mestre e Doutor em Geociências pela UNICAMP, professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Mestrado e Doutorado) da UNIARA - Araraquara - SP
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
PLANEJAMENTO URBANO
Zildo Gallo
As ruas correm rumo a outras ruas
As casas enfileiram-se como soldados
As pessoas andam para lá e para cá
Nuvens de pássaros revoam
E cagam nos transeuntes sonâmbulos
Na praça, crianças jogam milho aos
pombos
Um velho sentado à sombra da velha árvore
Espera a chegada da sua próxima hora
Lembrando seus idos tempos de criança
A vida resume-se a ruas que sempre
Se encontram umas com as outras
Carregando as pessoas aos seus encontros
Nas encruzilhadas com suas cruzes
traçadas
Nos escritórios dos engenheiros
geométricos
Com suas réguas e seus esquadros
E seus fascínios pelas linhas retas
Na tentativa permanente de remodelar
A natureza teimosamente curvilínea
ROTINA
Zildo Gallo
Nuvens em formas disformes
Formam imagens imaginárias
Nuvens movem-se sob o sol
Projetando sombras no chão quente
Das margens do rio que só desce
Devagar na suavidade da colina
Assim, a vida vai passando
Em disformes brancas nuvens
Nos dias quentes de verão
Dia sim, dia não, as nuvens
Se derramam em chuvas frias
Assim, a vida vai passando...
Dia sim, dia não...
Dia sim, dia não...
domingo, 30 de dezembro de 2018
PÉROLAS AOS PORCOS
Zildo Gallo
Cabisbaixo, Zé maluco andarilhava
Pelos passeios da praça da catedral.
Ei, Zé Maluco, para onde está indo?
Ei, Zé Maluco, levanta essa cabeça!
Ei, Zé Maluco, fale uma maluquice!
E o populacho relinchava de contente.
Mas, naquele dia, Zé Maluco respondeu:
As
ostras agredidas produzem pérolas.
Da porta da igreja, Beata Gertrudes rosnou:
Este Zé Maluco só fala asneiras.
E lá se foi Zé Maluco, cabisbaixo,
Produzindo suas pérolas.
O POETA E O CIDADÃO
Zildo Gallo
http://www.revistaestante.fnac.pt/6-livros-para-quem-tem-alma-de-poeta/
O poeta delirante urra na praça:
Larguem seus uniformes,
Suas armas beligerantes,
Suas mentes barulhentas
E seus rígidos controles,
Suas guerras fúteis,
Suas efêmeras riquezas,
Suas gaiolas de concreto,
Seus medonhos medos
E me sigam rumo à Utopia,
Ao País das Maravilhas Sutis.
O cidadão e sua gravata passam
Apressados, apressados...
E, apressados, olham
E seguem em frente,
Sempre em frente...
É tarde, é tarde, é tarde...
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
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