terça-feira, 8 de janeiro de 2019

HAICAIS DE CABEÇA


Zildo Gallo


Cabeça oca
Cabeça ocupada
Tudo de nada

Cabeça tonta
Cabeça aprumada
Seus sins e seus nãos

Cabeça reta
Cabeça abaixada
Mente mandando

Cabeça livre
Cabeça adestrada
Solta e prende


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

PLANEJAMENTO URBANO


Zildo Gallo


As ruas correm rumo a outras ruas
As casas enfileiram-se como soldados
As pessoas andam para lá e para cá
Nuvens de pássaros revoam
E cagam nos transeuntes sonâmbulos
Na praça, crianças jogam milho aos pombos
Um velho sentado à sombra da velha árvore
Espera a chegada da sua próxima hora
Lembrando seus idos tempos de criança
A vida resume-se a ruas que sempre
Se encontram umas com as outras
Carregando as pessoas aos seus encontros
Nas encruzilhadas com suas cruzes traçadas
Nos escritórios dos engenheiros geométricos
Com suas réguas e seus esquadros
E seus fascínios pelas linhas retas
Na tentativa permanente de remodelar
A natureza teimosamente curvilínea

ROTINA


Zildo Gallo


Nuvens em formas disformes
Formam imagens imaginárias
Nuvens movem-se sob o sol
Projetando sombras no chão quente
Das margens do rio que só desce
Devagar na suavidade da colina
Assim, a vida vai passando
Em disformes brancas nuvens
Nos dias quentes de verão
Dia sim, dia não, as nuvens
Se derramam em chuvas frias
Assim, a vida vai passando...
Dia sim, dia não...
Dia sim, dia não...

HAICAI DA BORBOLETA


Zildo Gallo


SURGE DO OVO
ARRASTA-SE LAGARTA
VAI PANAPANÁ!


domingo, 30 de dezembro de 2018

PÉROLAS AOS PORCOS


Zildo Gallo


Cabisbaixo, Zé maluco andarilhava
Pelos passeios da praça da catedral.
Ei, Zé Maluco, para onde está indo?
Ei, Zé Maluco, levanta essa cabeça!
Ei, Zé Maluco, fale uma maluquice!
E o populacho relinchava de contente.
Mas, naquele dia, Zé Maluco respondeu:
As ostras agredidas produzem pérolas.
Da porta da igreja, Beata Gertrudes rosnou:
Este Zé Maluco só fala asneiras.
E lá se foi Zé Maluco, cabisbaixo,
Produzindo suas pérolas.

O POETA E O CIDADÃO


Zildo Gallo

http://www.revistaestante.fnac.pt/6-livros-para-quem-tem-alma-de-poeta/

O poeta delirante urra na praça:
Larguem seus uniformes,
Suas armas beligerantes,
Suas mentes barulhentas
E seus rígidos controles,
Suas guerras fúteis,
Suas efêmeras riquezas,
Suas gaiolas de concreto,
Seus medonhos medos
E me sigam rumo à Utopia,
Ao País das Maravilhas Sutis.

O cidadão e sua gravata passam
Apressados, apressados...
E, apressados, olham
E seguem em frente,
Sempre em frente...
É tarde, é tarde, é tarde...


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

MISSA DE LAVA PÉS


Zildo Gallo


Rapapés e Lava-pés
Dois irmãos de bela aparência
Mas por dentro bem diferentes
O primeiro vive feio a bajular
À cata das intenções segundas
O outro curva-se belo e humilde
No acolhimento da igualdade

HAICAI DO DIA – 31/10/2026

Zildo Gallo   DILMA ELEITA PRIMEIRA PRESIDENTA DO NOSSO BRASIL               SÉRIE EFEMÉRIDE DO DIA