Zildo Gallo
Bem-te-vi, voa!
Vai, me olha Bem-te-vi.
Eu bem que te vi.
Economista pela PUC Campinas, Mestre e Doutor em Geociências pela UNICAMP, professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Mestrado e Doutorado) da UNIARA - Araraquara - SP
Zildo Gallo
Põe-se
a apedrejar
Os
pés a caminhar
Põem-se
a chutar
Os
lábios a abençoar
Põem-se
a amaldiçoar
Humanas
condições...
Inevitáveis
condições?
Há
que se transcender
As
condições humanas
Se
esse é o preço
Que
se tem a pagar
Pela
permanência continuada
Da
paz... da paz... da paz...
Tudo
pela paz!
Inclusive a transcendência...
Zildo Gallo
Na sua realidade burra
De carregar pesos humanos
Esforços terceirizados
Asnos do mundo todo
Uni-vos!
Uni-vos!
Empaquem todos!
Empaquem juntos!
Vocês só têm a perder
As suas rédeas curtas
E o pau duro
No lombo dolorido
Zildo Gallo
As
casas têm seus números
As
pessoas também têm
Seus
nomes e seus números
E
habitam as ruas com seus nomes
E
as casas com seus números
Bem
facilmente acháveis elas são
Assim
são as cidades hoje
Com
seus citadinos cidadãos
Cada
vez mais numerados
E cada vez mais encontrados
Zildo Gallo
Caem os impérios
A
vida continua
Arruínam-se
as casas
A
vida se molda
Restam
humanos solitários
Brincando
de não morrer
Inglória
peleja
Busca
alucinada
Em
esticar a existência
VITA
BREVIS!
CARPE
DIEM!
Zildo Gallo
Na
lagoa a vida subsistirá
Torçamos
pelo coaxar dos sapos
Para
que também possamos subsistir
Aqui
neste vasto e belo mundo
Assim
é a vida na Terra
Uma
aliança delicada entre mamíferos
E
batráquios e tudo o mais
Uma
corrente de elos delicados
Mas poderosos
Que
não pode ser rompida
SAPO,
COAXA!
ZILDO GALLO
Cadê a velha e bela Curitiba,
Aquela cidade-poema de Paulo
Leminski,
Poeta em delírio divino a
misturar
Trótsky, Jesus e Bashô?
Tudo se misturava e tudo ficava
certo,
Numa improvável liberdade
manifesta.
Em que poderoso feitiço ela se
prendeu
E se perdeu?
Que sombra estranha desceu
Sobre suas ruas, avenidas e
parques?
Kawazu lunar, em desespero, te
pedimos:
Vocaliza seu mágico canto,
Um haicai de encantamento,
Naquele lago de águas serenas,
Bem debaixo das robustas grades
Da imponente Ópera de Arame,
E devolve o brilho a essa urbe
Que, muito mais que de repente,
se transformou
Em tenebroso presídio das
esperanças,
Das alegrias,
Dos sonhos
E das liberdades.
COAXA, KAWAZU CURITIBANO!
Zildo Gallo DILMA ELEITA PRIMEIRA PRESIDENTA DO NOSSO BRASIL SÉRIE EFEMÉRIDE DO DIA