terça-feira, 16 de maio de 2023

CONDIÇÃO HUMANA

Zildo Gallo

 


 A mão a afagar

Põe-se a apedrejar

Os pés a caminhar

Põem-se a chutar

Os lábios a abençoar

Põem-se a amaldiçoar

Humanas condições...

Inevitáveis condições?

Há que se transcender

As condições humanas

Se esse é o preço

Que se tem a pagar

Pela permanência continuada

Da paz... da paz... da paz...

Tudo pela paz!

Inclusive a transcendência...

 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

ASNEIRA

Zildo Gallo

 

 O asno zurra

Na sua realidade burra

De carregar pesos humanos

Esforços terceirizados

Asnos do mundo todo

Uni-vos!

Uni-vos!

Empaquem todos!

Empaquem juntos!

Vocês só têm a perder

As suas rédeas curtas

E o pau duro

No lombo dolorido

 

segunda-feira, 8 de maio de 2023

CIDADANIA

 Zildo Gallo

 

As ruas têm seus nomes

As casas têm seus números

As pessoas também têm

Seus nomes e seus números

E habitam as ruas com seus nomes

E as casas com seus números

Bem facilmente acháveis elas são

Assim são as cidades hoje

Com seus citadinos cidadãos

Cada vez mais numerados

E cada vez mais encontrados

 


domingo, 7 de maio de 2023

CARPE DIEM

Zildo Gallo

 

Caem os impérios

A vida continua

Arruínam-se as casas

A vida se molda

Restam humanos solitários

Brincando de não morrer

Inglória peleja

Busca alucinada

Em esticar a existência

VITA BREVIS!

CARPE DIEM!

 

 

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Mamíferos e batráquios

Zildo Gallo

 


 Enquanto coaxarem os sapos

Na lagoa a vida subsistirá

Torçamos pelo coaxar dos sapos

Para que também possamos subsistir

Aqui neste vasto e belo mundo

Assim é a vida na Terra

Uma aliança delicada entre mamíferos

E batráquios e tudo o mais

Uma corrente de elos delicados

Mas poderosos

Que não pode ser rompida

SAPO, COAXA!

 

terça-feira, 2 de maio de 2023

KAWAZU CURITIBANO

ZILDO GALLO



Cadê a velha e bela Curitiba,

Aquela cidade-poema de Paulo Leminski,

Poeta em delírio divino a misturar

Trótsky, Jesus e Bashô?

Tudo se misturava e tudo ficava certo,

Numa improvável liberdade manifesta.

Em que poderoso feitiço ela se prendeu

E se perdeu?

Que sombra estranha desceu

Sobre suas ruas, avenidas e parques?

Kawazu lunar, em desespero, te pedimos:

Vocaliza seu mágico canto,

Um haicai de encantamento,

Naquele lago de águas serenas,

Bem debaixo das robustas grades

Da imponente Ópera de Arame,

E devolve o brilho a essa urbe

Que, muito mais que de repente, se transformou

Em tenebroso presídio das esperanças,

Das alegrias,

Dos sonhos

E das liberdades.

COAXA, KAWAZU CURITIBANO!

 

HAICAI DO DIA – 31/10/2026

Zildo Gallo   DILMA ELEITA PRIMEIRA PRESIDENTA DO NOSSO BRASIL               SÉRIE EFEMÉRIDE DO DIA